Liverpool Rock n Roll Marathon

Bruno Claro | 2015-06-23

Como infelizmente este ano não consegui correr a Maratona de Londres resolvi tentar Liverpool, a terra dos The Beatles, o local perfeito para receber uma Rock and Roll Marathon.

Parti com uma grande expectativa, esta seria a minha primeira maratona no Reino Unido. Sei que os britânicos têm uma forte cultura desportiva e que gostam de apoiar os corredores na rua.

Esta seria a minha terceira maratona este ano, estava ansioso por descobrir mais uma cidade. Para mim correr uma maratona é a melhor forma de conhecer uma cidade e de conviver com os seus habitantes de uma forma única.

No dia 12 de Junho, fui fazer a visita ao ACC de Liverpool (Echo Arena) para levantar o meu dorsal e inscrever-me para os 5km que se iam realizar no dia seguinte. O levantamento do dorsal correu de forma rápida e descomplicada. Em relação à feira, que eu estava ansioso por visitar para descobrir novas marcas e principalmente as novidades no running que raramente chegam ao nosso mercado, nem sei como a descrever.

Qualquer descrição que possa fazer terá mais palavras do que stands presentes na feira. Tinha umas 4 ou 5 marcas respresentadas, todas elas com pouca expressão tirando a patrocinadora do evento que era uma marca de vestuário de compressão, e até este era minimo. Este para mim foi o ponto mais fraco do evento.

Depois disto as minhas expectativas baixaram muito. Muito mesmo. Durante o resto do dia aproveitei para conhecer um pouco a cidade a pé e à noite fui a uma das festas que a Maratona Rock and Roll tinha preparado para os corredores, no Camp and Furnance.


Na manhã seguinte fui para a primeira corrida do fim de semana. 5km na zona do porto de Liverpool, com um percurso muito agradável. Foi uma corrida muito rápida e com muita boa disposição. É fantástico ver como o povo britânico vive as corridas. Não é estranho ver centenas de pessoas mascaradas a correr, para eles estes eventos são uma festa.

Eramos cerca de 1500 pessoas. Admirável a forma como as caixas de saída por  tempo são preenchidas ordeiramente sem haver necessidade de controlo e cada corredor se coloca no tempo que acha mais indicado para si. A prova desenrolou-se rapidamente e a chegada à meta foi uma surpresa. A corrida terminava dentro do ACC Liverpool (Echo Arena) num ambiente de discoteca, com luzes coloridas e música. Verdadeiramente surpreendente!


No fim recebi uma medalha muito bonita, algo a que os eventos Rock and Roll já nos habituaram. Sabia que se completasse duas corridas neste fim de semana, no final da maratona teria direito a mais uma medalha a Remix Liverpool. Mas não ficava por aqui.

Domingo era o dia M, de Maratona. A prova estava marcada para as 10h, mas estava combinado um encontro com os outros portugueses às 9h para tirarmos uma fotografia de grupo.

Caminhei do hotel ao ponto de encontro e pelo caminho vi milhares de corredores a prepararem-se para a meia maratona, que se ia iniciar às 9h.

As partidas da Meia Maratona eram absolutamente super bem organizadas, os corredores estavam divididos por caixas de tempo e cada caixa partia com cerca de 1 minuto e meio de diferença entre elas. Tudo se passou de forma muito rápida e ordeira, tendo sido dadas mais de 10 partidas para a meia maratona!

Depois da foto de grupo, tentei encontrar um lugar para me abrigar, porque apesar de não chover e de em Liverpool o sol aparecer muito cedo (às 4h30 já era dia!) estava uma temperatura baixa e principalmente muito vento, que tornava muito desagradável aqueles minutos de espera antes do tiro de partida.


Alguns minutos antes das 10h, fui com os restantes "Vicentes" do Correr Lisboa para junto da linha de partida. Não devíamos de ser mais de 4000 corredores, que se iam aventurar pelas ruas de Liverpool e percorrer 42 195 metros.

Iniciaram a contagem descrecente e aquele nervoso miudinho começou a apoderar-se de nós. O frio que se fazia sentir naquele instante desaparecia imediatamente e, após o tiro de partida, frio foi algo que não voltei a sentir.

A parte inicial era extremamente rápida, começava na parte plana da cidade, na zona do porto, e ao fim dos primeiros km, lá estava a primeira banda para nos animar a tocar um rock muito britânico.

Percorremos as ruas centrais do porto, seguimos em direcção  ao Goodison Park, mas pelo caminho vimos uma catedral e o Superlambanana, uma escultura gigante que é um cruzamento entre uma banana e um cordeiro. Aos poucos estava a conhecer locais da cidade por onde não passaria se não fosse na maratona.

O caminho para o estádio do Everton, um dos grandes clubes locais, não era fácil porque tínhamos uns bons kms sempre a subir, mas valeu a pena. Depois de dar-mos a volta ao estádio passamos por um parque (Stanley Park) muito movimentado, cheio de pessoas a praticar desporto e a apoiar os corredores à sua passagem. É bom ver como nas outras cidades as pessoas aproveitam os seus espaços verdes para a prática desportiva.

 Ao sairmos do parque, fomos em direção a Anfield Road, rua do outro estádio do grande clube da cidade,FC Livepool. Nessa estrada estávamos no topo de Liverpool com uma vista incrível da cidade. Os primeiros 10 km já estavam feitos e aos poucos começávamos a descer novamente em direção ao centro da cidade. Aqueles 5 km seguintes iriam permitir aos corredores descansar e recuperar do esforço das subidas iniciais.

 Aos 15 km, acontecia o primeiro banho de multidão depois da partida. Tínhamos andado afastado do centro da cidade, e apesar do forte apoio dos  populares que assitiam ao evento, não era aquele banho de multidão que tinha imaginado e tinha vivido noutras maratonas que já corri fora de Portugal.

No centro da cidade voltamos a sentir a emoção de correr uma maratona. As palavras de incentivo eram muitas e em diversas línguas. Podemos correr numa das ruas mais importantes da história da cidade, a Mathew Street,  rua do The Cavern Club, bar onde os The Beatles atuaram vezes sem conta. É um dos locais obrigatórios a visitar quando de vai a Liverpool. Depois do banho de multidão, voltamos a fugir do centro em direção a China Town, onde fomos recebidos não por uma banda rock mas por uma banda de música tradicional chinesa.

 Estávamos quase a chegar aos 20 km mas para aqui chegar tinhamos mais uma desafiante subida. Nesta zona podíamos ainda ver a Catedral de Liverpool um dos edifícios mais emblemáticos da cidade.

Quase a chegar aos 21km e a entrar, para mim, na parte mais monótona da corrida. Depois disto seria correr pelos parques (Princess Park, Sefton Park e Outterspool Park) mas pelo caminho tivemos a sorte de passar em Penny Lane, a rua que ficou imortalizada pela música dos The Beatles.

Nos parques o apoio não era muito, mas ao passarmos pelas zonas habitacionais envolventes a população aplaudia os corredores de uma forma fantástica. Muitos estavam sentados nas cadeiras do seu próprio jardim a aplaudir e a motivar os que passavam a correr, fazendo-nos sentir super heróis.

Foi aqui que fiquei surpreendido com a simpatia das pessoas de Liverpool, para eles um grande obrigado por me ajudarem a continuar naqueles momentos onde cada km parecia interminável e pelas gomas que me ofereceram e me ajudaram a ganhar a energia que me faltava. Sim, percebi depois que é típico naquela zona as pessoas saírem à rua com pratos cheios de gomas e  oferecem aos corredores que passavam.

Depois de 11 km de sobe e desce fomos em direção ao rio com para os últimos km sempre na zona ribeirinha. Talvez a parte mais monótona do evento. As retas eram longas e a meta parecia nunca mais chegar.

Os últimos 300 metros da maratona foram fantásticos! Uma multidão enorme de pessoas batia palmas, incentivava, animava para os últimos metros. Encontrei pessoas vestidas de super heróis sempre a dar energia a quem passava e muitos cartazes motivacionais. São estas pequenas coisas que me fazem apaixonar cada vez mais pelas maratonas, sentir aquele apoio que nos faz sentir únicos, que nos deixa com a lágrima no canto do olho. Assim foram 42 195 metros, onde mais que correr uma maratona se pode descobrir uma cidade enquanto se corre.

A maratona estava muito bem organizada, a marcação foi perfeita, muitas casas de banho ao longo do percurso, imensos abastecimentos, mais do que os necessários, de 3 em 3 km, com muita água, bebidas isotonicas e diversos com gel energético.

Para mim o ponto mais fraco da prova foi mesmo o piso, bastante irregular nos parques e a falta de pessoas a apoiar ao longo do percurso.

Um grande obrigado a todos os que saíram de casa para nos apoiar, apesar de serem poucos foram fantásticos e fizeram-me viver a maratona de uma forma especial e tornaram a minha experiência em Liverpool inesquecível.


No fim tive direito a 4 medalhas: uma da corrida de 5 km , uma remix (2 provas), uma da maratona e uma de world rocker (2 Maratonas Rock n Roll em 2 países diferentes no mesmo ano - fiz a de Madrid e agora esta em Liverpool).

Como é habitual nas Maratonas Rock n Roll o evento terminava com um concerto, muito animado mas o dia não terminava aí. A organização tinha reservado para nós uma grande festa à noite no Camp and Furnance para os corredores conviverem e conhecerem um pouco mais da cultura musical da cidade dos The Beatles.

Podemos conviver, beber uma cerveja e ouvir diversas bandas inglesas. No fim fomos brindados com a actuação de Marc Almond, uma estrela pop do anos 80, muito conhecido pela música Tainted Love, da banda Soft Cell da qual fazia parte.


Agora é descansar e preparar a próxima Maratona!

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