Maratonista aos 50

Pedro Ventura | 2016-10-28

Foi difícil mas não impossível

Um pequeno sonho tornado realidade, foi o que me aconteceu no dia 02/10/2016, ao participar pela primeira vez, e terminar uma prova de atletismo com a distância de 42,195m, denominada de maratona.

No inicio de 2014 participei pela primeira vez numa prova de atletismo de 10 km, estando longe de imaginar que, um dia, iria participar numa maratona. O click só se deu no final desse ano, após ter participado numa dúzia de provas de 10 km, tentar um dia correr os longos 42 km. O ano escolhido seria o de 2016, com 50 anos de idade feitos dois meses antes da data da prova, não poderia haver melhor momento para me presentear com tal feito.

No final de 2014, comecei a frequentar um grupo de corrida, o "Correr Lisboa", grupo fantástico, liderado por um casal dinâmico, que faz com que nos sintamos bem integrados, um grupo que não tem parado de crescer.

Em 2015, fiz a primeira meia maratona, a da ponte Vasco da Gama, incluída nos eventos da maratona de Lisboa, que se realiza no mesmo dia, terminando no mesmo local em faixas separadas, pensando que no ano seguinte, passaria a linha de meta na faixa da direita, a da maratona.

Neste ano de 2016 os treinos passaram a ser um pouco mais longos, participando também em provas com distâncias entre os 15 km e 2 1km, de modo a preparar-me, tanto a nível físico como psicológico. Apesar de pequenas lesões que apareciam e desapareciam, a preparação ia correndo bem, até que, em Junho, comecei a sentir uma dor no pé direito, que se foi tornando mais intensa, impedindo-me de fazer os treinos que tinha planeado. Só no final de Agosto procurei ajuda especializada no GFD e, foi-me diagnosticado fascite plantar pelo terapeuta Ernesto Ferreira. No meu caso, não necessitava de fazer fisioterapia, nem qualquer tipo de tratamento, mas sim usar umas palmilhas especificas para a forma dos meus pés (feitas por eles) e recomeçar a correr devagar, pequenas distâncias, indo aumentando progressivamente, tanto a nível de ritmo como de distância.

A um mês da prova, iniciei novamente a preparação, tempo demasiado curto para se percorrer, com confiança, os 42 km. Nesse mês, fiz cerca de 100 km, tendo feito só um treino longo de 22 km, a nove dias da prova. O bom senso dizia-me para esquecer esta prova pois não estaria em condições de a fazer, tentaria outra nos próximos seis meses, ainda com 50 anos, mas NÃO, era esta que eu queria que fosse a primeira maratona, no "meu" país, na "minha" cidade, com o "meu" grupo de corrida Correr Lisboa, e no dia 02/10/2016, lá estava em Cascais à partida para a prova que não me saia do pensamento ao longo do ultimo ano.

O acordar seria cedo, pelas 6 horas, tudo preparado de véspera, duche e pequeno almoço tomado e lá fui apanhar o comboio para Cascais. Aquela hora, 99% dos passageiros eram pessoas que iriam participar na maratona, uns em grupo, em que as conversas se centravam na prova, e outros sozinhos em que, quase certo, tinham o mesmo pensamento. O dia iria estar limpo, com a temperatura um pouco alta. À chegada encontrei-me com um amigo e companheiro de corrida, o João Ferreira, que iria também fazer a sua primeira maratona aos  57 anos, fantástica a força e determinação deste atleta, que também a terminaria.

Chegámos ao ponto de partida e o numero de pessoas já era bastante, após a foto do grupo Correr Lisboa, iniciei um pequeno aquecimento e dirigi-me para a partida.

 

O nervosismo e ansiedade iam aumentando, e ás 8h30 dá-se a partida. Tinha apontado o ritmo para 6:00 min/km e fixava-o entre os 5:45 e 5:50, sentia-me confortável e motivado no meio de tantos participantes, que tinham o mesmo objectivo, terminar a maratona. Nas costas da T-shirt do Correr Lisboa, tinha um escrito que dizia, "a 1a maratona aos 50",

 

diversos atletas ao passarem felicitavam-me, desejando boa sorte, comentando alguns com que idade tinham feito a sua primeira maratona, um que já ia na sua 22a maratona e tinha de certeza um pouco mais de idade, outro colega de grupo, o Paulo Nunes a passar e a dar-me força, sabendo das lesões que tinha tido, e o pouco treino que tinha feito, obrigado. Momentos engraçados, que de certa forma suavizavam os km percorridos.

O primeiro apoio surgia entre o km 7 e 8, através de um colaborador meu, o Fernando Almeida, que tinha uma garrafa de bebida para me hidratar e repor as energias perdidas. Ao km 10, o apoio mais importante, a Família composta pela mulher Sofia, filha Madalena e enteado João, (a pequena Inês tinha ficado com os avós), munidos de cartazes alusivos aos "Vicentes" (nome dado aos atletas do grupo Correr Lisboa).

Ao longo da prova conseguiram estar em 6 locais, fantástico o incentivo e força que recebia, ao vê-los emocionava-me, lá vinha uma lágrima, mas ao passar por eles era só sorrisos.

A prova ia decorrendo, os kms a serem percorridos ao ritmo confortável de 5:45/ 5:50, sempre a ouvir as musicas que tinha no telemóvel, pessoalmente torna a corrida mais descontraída e dá-nos alguma força. O calor começava a aumentar e procurava a pouca sombra que ia havendo. Existia algum apoio popular ao longo da prova, aos quais agradecia sempre que podia. No trajecto da Cruz Quebrada a Algés, praticamente não havia ninguém a apoiar, nessa longa recta os participantes vinha mais espaçados, parecendo a certa altura que todos tinham passado por mim. Espero um dia participar numa maratona, que tenha á partida uns 20 mil ou mais participantes, para estar sempre rodeado de pessoas que estão naquele momento a fazer o mesmo, tirar partido do que é correr e participar numa maratona.

Tomei o primeiro gel energético aos 10 km, o segundo aos 20 km e ao passar dos 21 km não pude deixar de gritar que metade estava feita.

Em Algés lá estava novamente a minha família a dar apoio, uma lagrimazita antes e sorrisos á passagem com direito a "give me five". Continuava com ritmo confortável, sempre hidratado o mais possível, as lesões que me tinham impedido de estar melhor preparado, não se manifestavam, mas a partir do km 25, comecei a sentir as primeiras câimbras nas coxas na parte da frente, e uma ligeira dor nos joelhos, dando uma sensação de peso, mais um gel aos 30km. 

À chegada à Praça do Comercio lá estava mais uma vez o apoio familiar, a partir desse momento passei a ter um "aguadeiro", o João que me acompanhou até ao final, correndo ao meu lado, Obrigado João.


Ia entrar numa altura da prova que mais temia, a ida ao Rossio. Apesar da inclinação da Rua do Ouro ser quase nula, já com 30 km percorridos, comecei a sentir algum cansaço, as forças começavam a faltar e ainda faltavam 12 km. No final da Rua da Prata, novamente na Praça do Comercio, pela 4a vez, o apoio familiar, mais uma garrafita vitaminada. O sorriso que conseguia dar estava a ficar fraco, o ritmo baixava para 6:10/ 6:20, os ditos "muros" começaram aparecer, mas ia conseguindo fintá-los. Alguns participantes já caminhavam, e sabia se fizesse o mesmo, iria deixar de correr mais vezes até ao final. O corpo pedia para parar mas a cabeça lutava contra, estava melhor preparado a nível mental que físico, tentava concentrar-me na musica mas era difícil. Quando da junção da maratona com a meia maratona, nos abastecimentos, a confusão era muita e era o João que me trazia água e alguma fruta.

Ao passar o km 37 apareceu o tal "muro mais alto", não o consegui "transpor", deixei de correr e passei andar, devia ter tomado o 4º gel um pouco antes, estava esgotado e não conseguia pensar da melhor maneira. Lembrei-me que tinha uma saqueta de magnésio, para tomar quando começasse a sentir cansado, dica preciosa do colega de grupo Tiago Rodrigues, devia tê-lo tomado antes, mas nem tal coisa me lembrou. Caminhei durante uns 200 metros e recomecei a correr, tinha recuperado alguma força. Antes disso pela 5ª vez sem estar à espera, lá estava o apoio familiar, fantástico.

Antes da rotunda que antecedia o local da claque Vicentina, veio mais um apoio, o do "Vicente Master", Bruno Claro, com um grande aparato sonoro a dar-nos força, Obrigado Bruno. Pela 6ª vez, o apoio familiar juntava-se à claque Vicentina, com a presença do "Vicente" em pessoa na pele do Vasco Tavares, eu de braços abertos mais "give me five" para todos. As ditas câimbras e dores nos joelhos estavam mais fortes, mas faltava tão pouco que não ia desistir.

Quando entrei na avenida final que divide as duas provas, tive a certeza que iria terminar, entrava na faixa da direita, apontei para a indicação da maratona e pensei, "esta está no papo, já ninguém ma tira". Os momentos que antecederam a meta, foram feitos com muita emoção, lágrimas e sorrisos, o desgaste físico e psicológico tinha sido enorme, cheguei completamente exausto, daí a descarga emocional que penso, de muitos participantes terem no final.


 O apoio familiar não conseguiu estar presente, na passagem pela meta, com muita pena deles e minha (maldito transito e ruas cortadas), mas nem por isso me faltou o apoio da Leader da família Vicentina, o da Sandra Ramos Claro, lá no alto, a dar-me os parabéns, a dizer "conseguiste Pedro, conseguiste" e a tirar fotos, que todos nós Vicentes guardamos com carinho, Obrigado Sandra.


Não posso deixar de agradecer, em primeiro lugar o apoio familiar que tive, não só no dia da prova, como ao longo de todo o tempo que dedicamos a esta actividade, que é correr e que os privamos da nossa presença, à família Vicentina pelo apoio ao longo da prova, ás pessoas que não conhecemos pessoalmente, mas que marcaram presença e incentivaram com os seus aplausos.

A nível informativo, ficam alguns registos da 1ª maratona (vai haver mais):

- Tempo de chip 4h17m52s/ tempo de prova 4h19m46s/ média de 6m07s/km.

- Lugar 2109 de 3540 que terminaram classificados / lugar 220 no escalão 50-55.

- No dia da prova pesava 77kg, 24horas depois 75kg (incentivador para logo no dia seguinte fazer outra)  

   

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