A minha primeira experiência no Fim da Europa

Bruno Claro | 2020-01-28

Adorei! Esta talvez tenha sido das provas que mais me surpreendeu nos últimos tempos em Portugal e, acreditem, tinha todos os ingredientes para eu não gostar. Para começar é no meio da serra e eu prefiro cidade, depois a partida é afastada da chegada e depois (o pior!) ter de acordar muito cedo.

Desde que comecei a correr, há 7 anos, que fugia desta prova. As desculpas eram muitas: o frio, a chuva, a altimetria, os joelhos, e por aí fora.

Quando me convidaram para ser embaixador da prova, pensei "Assim já não vou ter desculpa para faltar", abracei o desafio e lá fui eu.

Ao fazermos a inscrição temos a hipótese de comprar transporte de autocarro para a partida, antes do inicio da prova ou no fim da prova. Este ano optei por fazer antes do inicio da prova, talvez para o ano faça o inverso para perceber qual a melhor forma.

Partir ao inicio tem a vantagem de não teres de esperar que a corrida termine para os autocarros levarem os participantes novamente para Sintra, mas percebes o quanto desces quando tens de subir quase 2km até ao carro.

Sintra estava com um tempo muito bom para correr. Para estreia tive sorte em tudo, o que provavelmente permitiu que a minha experiência tivesse sido a melhor.

Dei uma volta, encontrei muitas caras conhecidas e segui para o bengaleiro. Impecável! Rápido na entrega e muito rápido na recolha, ao contrário de muitas provas, dentro e fora de Portugal, onde muitas vezes as filas são longas para recolher a mochila.

A prova inicia-se na volta do duche em Sintra, os participantes são divididos em vagas (por ordem de inscrição) separados por partidas de 15 minutos. Na minha opinião acho que 15 minutos é muito tempo, porque pelo que percebi a grande dificuldade é mesmo a partida e o 1km até iniciarmos a subida para o Castelo. Eu reduzia o tempo entre vagas e aumentaria para 3 vagas, o que permitiria ter uma melhor experiência na fase inicial da corrida.


Quem conhece Sintra sabe que a estrada que nos leva ao castelo é sempre a subir. São cerca de 3km onde subir é a palavra de ordem.Visualmente é muito bonito, ver os atletas a serpentear as curvas e contra curvas pela serra a cima. Excelente para as fotografias.

Esperava que fosse muito mais duro e principalmente que as subidas fossem mais longas. Não vou dizer que é uma prova fácil, mas às vezes temos uma ideia errada das opiniões que ouvimos. Pintaram um cenário mais negro do que realmente é. Terminado a primeira fase a subir, começa a melhor parte da prova, durante 7 km é um sobe e desce constante pela serra o que permite ir a uma velocidade elevada sem um esforço físico elevado, para mim esta foi a melhor parte.

Chegando ao km 10, vem o verdadeiro desafio: uma subida muito dura com uma inclinação elevada , talvez a parte mais difícil da prova mas nada que um bom caminhante não faça de uma forma descontraída aproveitando para ver as paisagens e por a conversa em dia.

Quando já se via o topo, é acelerar até à meta! São mais de 5 km em descidas que permitem recuperar muito tempo perdido. Agora é hora de aproveitar o balanço e usufruir da paisagem. Apesar do piso ser irregular e descidas longas fiquei muito feliz porque o meu joelho aguentou tudo sem dor, o que me deixa com boas expectativas para 2020.


Antes de cortar a meta ainda temos uma ligeira subida, mas nada de mais e depois é aproveitar os 100 metros finais para acelerar em direcção ao cabo da roca e usufruir da paisagem única que a prova nos proporciona.

Fazendo um resumo rápido, é uma prova onde se desce muito, não é tão dura como algumas pessoas dizem (a opinião também depende do teu treino e da intensidade que queiras colocar durante a prova), eu não sou muito ligado a paisagens nem à natureza mas admito que é uma prova muito bonita e a chegada ao cabo da roca é uma experiência sem igual. Senti-me muito seguro, havia voluntários, staff e apoio médico ao longo de toda a prova. Em relação ao público temos algum na partida, adorei as pessoas que se juntaram ao longo da serra em pequenos grupos para apoiar, para eles o meu obrigado pelo incentivo extra e temos algumas pessoas na aldeia antes de chegar ao cabo da roca.


Por fim, pela primeira vez a prova teve uma medalha bem bonita, e acho que devem manter esta oferta . Pelas opiniões de sugestões que tenho lido, talvez possa concordar com um abastecimento solido ou gel pelo desgaste que a prova provoca, mas acredito que ao fazerem isso o número de reclamações aumentará porque vai ser difícil controlar que os atletas não deixem lixo pela serra, esse é um problema de mentalidade e não só de organização.


Esta prova fica na minha agenda e passará a ser daquelas que quero correr todos os anos. Quem nunca fez não sabe o que perde e quem jurou nunca mais ir, acho que devia dar uma segunda oportunidade.

Eu para o ano espero regressar e quero tirar 10 minutos ao meu tempo (fazer menos de 1:24:31) (fica a dica já para o passatempo do ano de 2021 no Correr Lisboa).

Obrigado a todos pelo apoio e à Podium pelo convite.

Fotos -Paulo Maria - Podium

Correr Lisboa

Pista Professor Moniz Pereira, Rua João Amaral - Lisboa

  • geral@correrlisboa.com

Circuito dos Parques de Lisboa

Informações sobre inscrições/ classificações / parcerias

  • inscricao@correrlisboa.com

Parcerias

Informações sobre parcerias / divulgação de corridas

  • geral@correrlisboa.com
Topo